suplementos

Fonte de cálcio: como obter o pó da casca do ovo

09:52


A dieta que adotamos aqui em casa, a A.N. crua sem ossos, é primariamente pobre em cálcio, (justamente por não conter ossos crus). Uma vez que os gatos precisam consumir este mineral diariamente, a defasagem deve ser corrigida, e para isso existem algumas opções disponíveis.

O leite, que todo mundo logo associa ao cálcio, no entanto, não é uma delas. De acordo com o site Cachorro Verde, um pires de leite contém no máximo 120 mg de cálcio, enquanto os felinos precisam desta quantidade multiplicada pelos quilos de peso. Ou seja, Fera e Zoe, por exemplo, precisam de cerca de 450 mg de cálcio por dia cada um.


Oferecer esta quantidade de cálcio por meio do leite não daria certo, não só porque no pacote estamos oferecendo junto uma série de outras substâncias, mas também porque um número enorme de gatos sofre de diarreia após o consumo de leite (é o caso aqui em casa).

A opção mais prática é comprar suplementos de cálcio prontos ou mandar manipular em farmácias especializadas (leia mais aqui no item Fontes de Cálcio). Mas existe uma opção que, apesar de dar um pouquinho de trabalho, é mais barata e mais ecológica: a casca de ovo.

Acho que podemos melhorar este processo...
Passei 28 anos sem nunca dar uma segunda olhada para as cascas de centenas de ovos antes de atirá-las no lixo. Nos últimos dois meses, isso mudou radicalmente: é alguém falar em omelete que eu já aviso pra guardar as cascas. 

A partir da casca de ovo, e de uma maneira muito fácil, pode-se obter um pó riquíssima em cálcio e que, de quebra, contém também as quantidades necessárias de fósforo para os felinos. O mais legal de tudo é que a farinha também pode ser consumida por humanos.

Como fazer

Tentei encontrar a farinha ou pó de casca de ovo a granel em lojas de produtos naturais, mas sem sucesso. Compartilho abaixo um passo a passo de como venho produzido em casa.

1. Comece juntando as cascas dos ovos que for consumindo ao longo de alguns dias. Assim que abrir o ovo, lave a casca e remova a película branca que a reveste por dentro. Não deixe para remover a película depois, pois ficará muito mais difícil quando o ovo secar.


2. O ideal é acumular pelo menos 12 cascas. Se tiver pressa, ou se você não for muito fã de ovo, vale pedir para amigos e família.


3. Com as cascas limpas e secas, coloque em uma forma e leve ao forno até que adquiram uma coloração levemente amarelada. Acho até que essas da foto passaram um pouco do ponto...


4. Deixe esfriar por alguns minutos e em seguida coloque no liquidificador ou processador. Bata por alguns segundos e pronto!

O ideal é que o pó todo fique ainda mais fino, semelhante às partes mais claras da foto
Já temos uma bela fonte de cálcio, e ainda reaproveitamos o que antes seria lixo. Quanto mais fino o pó, melhor. Ainda estou aprendendo o ponto certo para deixar o pó mais homogêneo. A farinha pode ser armazenada por vários meses em local seco.

Dicas:

  • Não deixe para fazer a farinha no mesmo dia em que for produzir uma leva de AN, para ficar menos cansativo.
  • A produção da AN por si só já fornece uma boa quantidade de casca de ovo para produzir o pó: para cada 3 kg de comida, são três unidades na receita.


Pet Fooled: um documentário importante

16:28

Apesar de ter sido lançado no final do ano passado, só esta semana fiquei sabendo da existência do documentário Pet Fooled (EUA, 2016), que aborda uma série de questões envolvendo o grande mercado de rações para animais domésticos no mundo, da grande indústria como negócio à composição do alimento em si.



O filme é uma junção de depoimentos e fatos, tanto históricos quanto recentes, que explicam um pouco do cenário atual no que diz respeito à oferta de alimentos para pets nas prateleiras, entre eles:

  • Por vários motivos (rótulos enganosos, falta de informação, conveniência, custo etc.), criou-se a ideia de que as rações são opções excelentes e mais saudáveis do que o alimento natural, quando na verdade não são.
  • A grande indústria não tem nenhum interesse em realizar pesquisas sobre o que realmente é uma alimentação saudável para os animais, pois atualmente a produção em escala mundial encontra-se estabelecida e rentável.

Pet Fooled: reprodução
  • Grãos como milho, trigo e soja são os principais componentes da maioria das rações, quando o que se sabe é que estes ingredientes são totalmente inúteis e até mesmo indesejados para a dieta felina (confira os primeiros ingredientes listados no rótulo da ração que você tem em casa).
  • Cinco ou seis marcas estão por trás de centenas de rótulos de ração disponíveis nas prateleiras.
A questão central desta discussão não é converter tutores para a alimentação natural, mas lançar luz sobre um tema ainda ignorado pela maioria das pessoas e difundir uma nova consciência sobre o tema, para que as relações possam, pouco a pouco, se transformar.

Minha concepção da alimentação dos meus gatos mudou totalmente desde que passei a prestar mais atenção nos rótulos das embalagens, por exemplo, e assim acredito que hoje estou oferecendo a eles algo mais adequado e interessante do que estava há dois meses. 


Acredito que o movimento seja similar ao que ocorre com os humanos: estamos cada vez mais conscientes do que estamos ingerindo, buscando alternativas saudáveis, recusando alimentos que sabemos serem nocivos para nossa saúde. 

Se chegarmos a um ponto no qual a indústria ofereça um alimento melhor e mais eficiente para os animais, tanto melhor. Por enquanto, prefiro os pacotinhos de A.N. que saem da cozinha aqui de casa.

O documentário Pet Fooled está disponível para locação no Vimeo ou iTunes por 4.99 dólares.
Abaixo o trailer (em inglês):

apetrechos

10 acessórios básicos para fazer A.N. em casa

06:14

Resolvi listar aqui alguns itens que considero indispensáveis para quem pretende começar a produzir A.N. CRUA SEM OSSOS em casa (outros tipos de A.N. envolvem outros acessórios), por ordem de prioridade, a começar pelo mais importante.

É legal se planejar para reunir estes utensílios, ou pelo menos uma boa parte deles, antes de começar o preparo da A.N. de forma efetiva, pois eles irão tornar sua vida muuuito mais fácil. 

Lojas de departamento como Americanas, Carrefour e Walmart costumam ter todos ou pelo menos a maioria destes artigos, e nos sites destas lojas dá pra encontrar boas promoções.

Os preços abaixo são uma média aproximada do que encontrei, ou seja, pesquisando dá pra encontrar todos os itens por um valor mais baixo.

1. Multiprocessador de alimentos
Preço médio: R$ 300

Usado intensamente em todas as receitas.
São mais úteis os modelos que trituram e moem, e que comportam pelo menos 500g de carne.

Comprei este modelo da Philco, que tem um ótimo custo-benefício e vem ainda com um copo de liquidificador.





2. Balança de precisão
Preço médio: R$ 40

Importantíssimo item para garantir que a receita contenha a quantidade adequada de cada alimento, caso contrário poderá acarretar em deficiência ou excesso de algum nutriente no organismo do animal. Também facilita na hora de separar as porções prontas.





3. Facas afiadas
Preço médio: R$ 70 (conjunto)

Antes de colocar no processador, vai ser preciso cortar em pedaços as carnes, remover peles e gorduras de acordo com o indicado nas receitas. Facas com lâmina afiada facilitam muito, em especial no caso de carnes fibrosas como a moela.

O jogo da foto está em promoção no Carrefour por R$ 39,90.



4. Tábua de corte grande
Preço médio: R$ 25

Dou preferência aos modelos de vidro, que são mais fáceis de limpar e não acumulam resíduos a longo prazo, mas fica a critério.

Este conjunto da foto está saindo por R$ 29,90 nas Americanas e, além da tábua (de plástico), vem com uma faca e um martelo de cozinha, que é super útil para moer comprimidos de suplementos vitamínicos da AN.


5. Recipiente para mistura
A partir de R$ 15

Para receitas que rendem até 6 kg, utilizo um pote plástico de 35 x 21 cm e 11 cm de altura, parecido com o da foto.

Mas também dá pra utilizar refratários de vidro ou alumínio, se você preferir ou se já tiver em casa. O importante é que seja maior do que o volume de patê e que dê pra misturar bem.




6. Embalagens para congelamento
A partir de R$ 8 o rolo

Por enquanto estou usando saquinhos para freezer, que custa em média R$ 8 o rolo com 100 unidades. No entanto, eles são mais difíceis de reaproveitar e, futuramente, penso em migrar para embalagens reutilizáveis.

Estou pesquisando para ver se encontro potinhos de plástico, vidro ou silicone com tampa e que sejam fáceis de encaixar em grande quantidade no congelador.




7. Etiquetas adesivas
R$ 5 o rolo

As etiquetas são boas para colar nos saquinhos com o nome da receita, quantidade e data. Também servem para organizar sobras de cortes que serão aproveitados futuramente.




8. Isopor ou bolsa térmica
A partir de R$  30

É legal ter um isopor ou uma bolsa térmica à disposição para levar junto quando for às compras, para conservar ao máximo a temperatura das carnes congeladas e resfriadas.

Como os animais irão comer a carne crua, é preciso redobrar o cuidado com o transporte e a manipulação. Não compre as carnes se ainda tiver que passar várias horas na rua, sem um refrigerador disponível.



9. Tigelas ou potinhos variados
Kits a partir de R$ 10 dependendo do material

Quando estiver fazendo a A.N., você vai acabar precisando de algumas tigelas durante o preparo, por exemplo para: separar gema da clara, reservar os vegetais e as diferentes carnes moídas antes de misturar, dissolver a gelatina, separar os suplementos etc.

Para facilitar, tenha em mãos alguns pequenos refratários de vidro, cerâmica ou inox, com ou sem tampa.



10. Comedouros adequados
A partir de R$ 15

Aproveitei a mudança na dieta para também eliminar os comedouros de plástico, que podem causar alergias e liberar toxinas nocivas aos bichanos. O mais legal é usar comedouros de cerâmica, vidro ou inox de boa qualidade.

Além disso, um comedouro adequado também facilita o interesse e a adaptação do animal à nova dieta.




** Pode parecer bastante coisa, mas o investimento compensa: tanto por facilitar a rotina de quem irá adotar a A.N. como dieta integral dos gatos, quanto no quesito saúde dos bichanos, já que um dos objetivos desta alimentação é prevenir algumas doenças precoces e aumentar a qualidade de vida dos animais :)

vídeo

Teste do comedouro

05:22


Faz dois dias que os gatos aqui em casa estão comendo apenas alimentação natural caseira. Filmei o primeiro dia que dei a AN e... eles adoraram! A primeira recepção foi um sucesso total.

Mas uma bela estreia não significa causa ganha, pois os gatos muito frequentemente enjoam de sabores repetitivos e até de alguns ingredientes em si.

Já no segundo dia a Zoe, por exemplo, parecia menos animada, enquanto Fera seguia bastante empolgado com a comida. Mas persisti e, na refeição seguinte, como não havia outra coisa, ela comeu e desde então não tem mais recusado.

Estou dividindo um saquinho de 175g para cada um deles, por dia, em três ou quatro refeições. Não tá sobrando nadinha.

Mudanças observadas: praticamente pararam de tomar água no pote e estão fazendo bem mais xixi. Isso porque a AN contém bastante água, provavelmente até mais do que eles estavam acostumados a beber.

Pela frente

Apesar das notícias animadoras, o desafio continua e terei que estar preparada para driblar eventuais "refugos" diante do prato de AN. Isso pode acontecer por vários motivos, entre eles o fato de que a AN não contém flavorizantes que "viciam" o paladar do animal.

Uma das ideias agora é começar a produzir receitas diferentes em menores quantidades e manter congeladas em estoque porções de pelo menos três sabores diferentes, pra intercalar entre os dias.

Caso seus gatos recusem a AN, aqui neste endereço tem várias dicas legais sobre a transição e o que fazer para aumentar as chances dos seus gatos curtirem a alimentação natural.

preparo

Primeira produção de AN (alimentação natural)

04:33


Na semana passada iniciei o preparo da AN crua sem ossos para gatos com base nas informações indicadas aqui. Dá trabalho? Sim! Não vou mentir dizendo que foi super rápido e fácil, mas para a primeira vez considero que foi um sucesso.

Primeiramente fiz a farinha de casca de ovo, importante fonte de cálcio. Basta colocar algumas cascas de ovo no forno, até ficarem amareladas, e depois triturar no liquidificador. Fica um pó bem fininho que pode ser armazenado por até 6 meses e também tem aplicações em dietas humanas.



Escolhi utilizar chuchu, cenoura e couve-folha para compor a parcela de vegetais da receita, e optei por cozinhá-los porque sei que meus gatos não são muito chegados em verduras, então acredito que cozidas elas fiquem mais palatáveis.



Optei por cozinhar os legumes no vapor, em vez do cozimento tradicional na água, pois a perda de nutrientes é menor neste modo de cocção.


Dica: É bem importante ter uma balança de precisão para pesar certinho todos os ingredientes e preparar a receita nas devidas proporções. Dá pra encontrar vários modelos na faixa dos R$ 30 ou até por menos.

Depois de triturar os vegetais cozidos, acrescentei 4 gemas cruas. A receita dá também a opção de acrescentar as claras cozidas, mas meus gatos não curtem o cheiro de ovo cozido (já testei em outras ocasiões), por isso preferi omitir esse ingrediente.



Nesta etapa também adicionei os complementos obrigatórios, como os comprimidos de complexo B e a Taurina. Optei também por usar a gelatina sem sabor como fonte de colágeno, já que no momento é inviável produzir o caldo de ossos caseiro. 

Importante: consulte um veterinário antes de sair preparando a dieta pro seu gato! Só ele poderá prescrever a suplementação adequada.

Entre as carnes, usei músculo de boi e moela de frango; coração de boi (muito importante, mas não tão fácil de encontrar); e fígado bovino, tudo nas proporções indicadas na receita e  triturado no processador.

Coração de boi, peça inteira. Também é possível encontrar já em pedaços


Aliás, um bom multiprocessador de alimentos é um investimento recomendável para quem pretende migrar para AN. Comprei este ótimo modelo da Philco por R$ 219 e ainda vem com um copo de liquidificador e peças para espremer frutas.

Com tudo moído, misturei os vegetais com as carnes e o resultado foi um patê homogêneo. Optei por não triturar as carnes ao máximo, pois meus gatos curtem mastigar pedacinhos.


Separei o patê em porções de 175g para ir testando e ver quanto eles comem. Rendeu 13 saquinhos. Como tenho dois gatos, a ideia é descongelar 2 por dia e ir calculando quanto cada um está comendo, para na próxima produção já congelar as porções com a quantidade ideal.

Acabei esquecendo de adicionar as 2 xícaras de água filtrada e por isso a receita rendeu apenas 2,5kg, em vez dos 3kg previstos. Para que a porção não fique sub-hidratada, vou adicionar 2 colheres de sopa de água a cada um dos saquinhos conforme for descongelando.

Importante deixar o patê congelado por 5 dias antes de oferecer aos gatos, para eliminar riscos de contaminação dos animais por parasitas.





check-up

Check-up e orientação profissinal

11:47



Ao longo desta semana, levei os dois gatos para fazerem exames de sangue. Optei pelo hemograma mais detalhado, comumente chamado de perfil, que aponta não apenas os dados das células sanguíneas mas também aspectos importantes como funções hepática e renal. A coleta é bem simples e fica pronto de um dia para o outro. Custa em média R$ 100 por gato aqui em Florianópolis.

Esse check-up é muito importante não apenas para verificar se está tudo em dia, mas também para que o veterinário possa avaliar se os gatos estão com deficiência de algum nutriente específico. Se for o caso, você poderá adicioná-lo diretamente na dieta que irá preparar.

Se tudo der certo, em breve irei consultar uma médica veterinária aqui de Florianópolis que trabalha com alimentação natural. É ela quem irá avaliar os exames de sangue e também o perfil comportamental dos gatos. A pedido dela, estou fazendo alguns vídeos caseiros que mostram um pouco da dinâmica entre os dois gatos, já que não é apenas a idade e o tamanho que influenciam na dieta.

A partir desta consulta, ela irá elaborar uma receita de AN adequada para eles, com os alimentos e suplementos alimentares ideais, nas quantidades necessárias para que não falte nenhum nutriente ao organismo dos gatos.

Ainda não consegui marcar a consulta por motivos financeiros. Com o corte da ração seca aqui em casa, o custo direto da alimentação dos gatos subiu consideravelmente: antes eu gastava R$ 40 por mês e mais alguns sachês por semana. Agora com o Pet Delícia estou deixando cerca de R$ 12 por dia no pet shop! Além disso, também estou comprando os primeiros suplementos para produzir a AN em casa. E a consulta com a especialista irá custar outros R$ 320.

Eu digo custo direto porque esta mudança é um projeto que visa prevenir futuras patologias e problemas que exijam veterinário, medicação, cirurgias etc. É legal encarar como um investimento, e não como um gasto simplesmente.

Primeiros dias sem ração seca: uma mudança e tanto


Zoe literalmente lambendo o prato ;)

Amanhã faz uma semana que a Zoe e o Fera estão comendo apenas o patê Pet Delícia (custa em média R$ 12 a lata grande e vai cerca de uma lata por dia para alimentar dois gatos) e alimentos reais, que estou testando para ver como eles recebem.

É importante descobrir se os gatos são receptivos a alimentos, principalmente carnes, que são a base da dieta natural (não iremos abordar aqui a dieta vegetariana). Muitos gatos não são! Aqui a receptividade tem sido ótima, por isso acredito que eles irão gostar da AN, e isso serve de estímulo para seguir em frente com o projeto.

Desde que interrompi o uso da ração seca, notei algumas mudanças fisiológicas e também no comportamento dos dois:

* Menor quantidade de fezes e fezes mais secas (devido à maior digestibilidade do alimento);

* Menos ansiedade na hora de comer: eles têm bastante apetite, mas não ficam mais gritando pela comida. O Fera inclusive costumava comer a ração seca em 10 segundos e depois atacava o pote da Zoe. Com o patê, ele deixou de fazer isso e parece de fato saciado com a porção servida;

* Bebem menos água no pote, já que o alimento úmido contém boa parte da água necessária ao organismo, ao contrário da ração seca.

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